Quem sou eu



Quem sou eu.

Meu nome é Marli e sou mãe do Gael,mulher do Celio,filha da dona Rosa e seu Altamiro.

  🌑 Quando a dor não cabe no corpo, escrevo

Existem dores que não gritam. Elas escorrem por dentro, silenciosas, pesadas, disfarçadas de normalidade. Acordo, sorrio, converso... mas aqui dentro há um lugar que ninguém visita, que ninguém entende. E talvez nem eu mesma compreenda totalmente.

Criei este blog como quem abre uma janela num quarto abafado. Um espaço para respirar, para escrever sem medo do julgamento, sem o peso de parecer forte o tempo todo. Porque a verdade é que, por muito tempo, tentei disfarçar o que doía. Achava que ser forte era não mostrar fraqueza. Hoje, entendo que ser forte é ter coragem de sentir.

Escrevo porque não sei calar tudo o que carrego. E não carrego pouco. São memórias, frustrações, perdas, palavras que não foram ditas, perguntas que nunca tiveram resposta. São feridas antigas, algumas com crosta, outras abertas, ainda vivas. São partes minhas que ninguém vê, mas que vivem latejando por dentro.

Às vezes, a dor aparece nas pequenas coisas. Em uma música, em uma data no calendário, em um cheiro. Às vezes, ela simplesmente está — sem motivo claro, sem explicação. E nesses momentos, tudo o que consigo fazer é escrever. Colocar para fora o que pesa dentro. Porque, de alguma forma, as palavras me salvam. Sempre me salvaram.

Aqui, não prometo textos bonitos, nem finais felizes. Prometo verdades. Prometo caminhos tortos, dias difíceis, e também momentos de paz — quando eles vierem. Prometo me escrever inteira, mesmo que quebrada.

Talvez você tenha chegado até aqui por acaso. Ou talvez esteja procurando um lugar onde sua dor também caiba. Se for o caso, quero que saiba: este blog não é um diário de desespero. É um espaço de travessia. A dor está aqui, sim. Mas também está a esperança. A pequena, às vezes frágil, mas teimosa esperança de que há vida mesmo depois do caos.

Fui colecionando ausências ao longo da vida. Gente que partiu, pessoas que se afastaram, sonhos que desmoronaram. Fui perdendo coisas que achei que nunca perderia. Fui me perdendo de mim, também. E agora, aos poucos, escrevendo, talvez eu consiga me reencontrar.

Este blog é minha forma de escutar a mim mesma. É um espelho. Um abrigo. Um recomeço.

Talvez ninguém leia. Talvez alguém se encontre aqui. Mas, antes de tudo, escrevo para mim. Para aquela parte de mim que ficou calada tempo demais. Para a criança ferida, para a mulher exausta, para a alma que ainda insiste em acreditar que pode florescer — mesmo depois de tudo.

Se você também carrega algo que ninguém vê, seja bem-vinda(o). Sinta-se em casa.

Aqui, as cicatrizes falam.

Postar um comentário

0 Comentários