💧 Eu fiz xixi na calcinha… e não foi sobre a bexiga
Por: Cicat
rizes que Falam
Hoje eu fiz xixi na calcinha.
Sim, eu fiz.
E talvez você esteja estranhando logo no primeiro parágrafo.
Mas calma…
Esse texto não é sobre bexiga fraca.
Nem sobre envelhecimento.
Nem sobre descuido.
Esse texto é sobre luto.
É sobre a dor que tira a gente do corpo.
Sobre o sentimento que desconecta da lógica, da rotina, da lucidez.
Hoje eu saí de casa vestindo uma daquelas calcinhas largas,
confortáveis, daquelas que a gente usa pra dormir,
que nos abraçam como se fossem um cobertor de algodão.
A manhã começou com peso, lembranças e lágrimas.
Meu irmão, minha cunhada, minha sobrinha…
Tudo voltou, tudo doeu.
Chorei no banho.
Chorei parada, em silêncio.
E quando fui ao banheiro mais tarde, já no trabalho,
sentei no vaso, baixei a calça…
e fiz xixi na calcinha.
Eu tinha esquecido.
Esquecido que ainda estava de calcinha.
Simples assim.
O automático do corpo não venceu o caos da mente.
Quando percebi, foi um choque:
O tecido molhado, o desconforto súbito.
No início, senti culpa.
Uma vergonha boba, envergonhada.
Mas depois, caiu a ficha.
Aquilo não era descuido.
Era o tamanho da dor.
Era o quanto meu coração estava fora do eixo.
Era o quanto o luto me tirou de mim.
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Não, eu não estou doente.
Minha bexiga está ótima.
O que está doendo é a alma.
E às vezes, a dor é tão intensa, tão silenciosa, tão enraizada,
que a gente esquece o básico:
onde está, o que está vestindo, o que está fazendo.
Essa manhã, não foi a calcinha molhada que me marcou.
Foi o lembrete de que eu estou no meio de um luto.
E que o luto bagunça tudo.
Até a cabeça.
Até a consciência do corpo.
E naquele momento, ao invés de me julgar,
eu escolhi me acolher.
Lavei, guardei, respirei.
Voltei pro trabalho — sem calcinha, mas com mais gentileza por mim mesma.
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Esse texto é pra quem já se perdeu no meio da dor.
Pra quem chorou sem saber por quê.
Pra quem fez algo incomum e ficou com vergonha.
Pra quem achou que estava ficando “louca” de tanto sentir.
Você não está.
Você está viva.
E sentir profundamente não é fraqueza — é coragem.
Se um dia você também esquecer algo simples…
Se fizer xixi na calcinha, ou errar o caminho, ou esquecer a chave…
não se culpe.
Se acolha.
A dor que você carrega não é invisível, só não é compreendida por todos.
Aqui, neste blog, ela é.
Aqui, a sua cicatriz pode falar.
Sem julgamento.
Com verdade.
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