O Odio Atraves dos Sonhos

 🔹O que o ódio não conta, mas destrói



Algumas dores não gritam.


Elas se disfarçam de silêncio, de força, de controle.

Mas à noite, quando o corpo dorme, a alma fala.


Adormeci com o coração pesado.

Havia escutado uma frase carregada de desprezo, dita com tanto rancor que atravessou minha pele.

Palavras cruéis que ecoaram dentro de mim.

Fui dormir em silêncio, mas meu inconsciente não se calou.

E então o sonho começou…

A mulher que empurrou o mundo com ódio


Eu estava em um lugar qualquer, com alguém ao meu lado.

De repente, uma mulher — tomada por uma ira absurda — empurrou o próprio companheiro, que estava sobre uma moto.

Mas ela não empurrou só ele.

Ela empurrou a dor, a mágoa, a vida, o passado.

Com força sobre-humana, ela lançou tudo contra um muro.

A moto disparou, e ela, colada àquilo que não conseguia soltar, foi junto.

O impacto foi brutal.

O corpo dela se despedaçou. Sangue por todo lado.

Pedaços. Fragmentos.

E eu, que estava distante, senti o sangue dela pingar na minha boca.


Aquilo não era sobre ela. Era sobre nós.

Sobre o que o ódio faz com quem o carrega.

O sangue que invade, mesmo quando não pedimos


Acordei engasgada com esse símbolo:

O sangue que não era meu, mas veio parar na minha boca.

Na psicanálise, isso pode significar que a dor do outro, quando não é curada, nos atravessa, nos contamina, nos fere também — mesmo que não sejamos os agressores.


Quantas vezes somos atingidas pelo que não é nosso?

Quantas vezes carregamos as consequências da violência emocional dos outros?

Quantas vezes cuspimos verdades que nunca deveríamos ter engolido?

Fragmentos que precisam ser vistos


No sonho, alguém disse:

“O corpo dela está em pedaços por toda parte.”


E eu pensei: Não quero nem ver.

Mas passei por perto. Vi os restos. Senti a presença da tragédia.

O companheiro estava ali também, caído, machucado, provavelmente morto.


O ódio não poupou ninguém.

Nem quem o lançou.

Nem quem estava no caminho.



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Quando o inconsciente avisa: pare, olhe, repare.


Esse sonho não é apenas um pesadelo.

É um aviso.

É uma aula da alma.


Porque o ódio que queremos jogar no outro, se não for elaborado, acaba nos destruindo também.

Ele leva tudo embora: dignidade, empatia, amor, vínculo, vida.

E o mais assustador: ele destrói até quem só estava por perto.



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Cuspir o que não me pertence


Acordei cuspindo. Rejeitando.

Meu corpo psíquico dizendo: isso não é meu.

Essa raiva, esse desprezo, essa fala cruel — não me pertencem.


E ali, naquela madrugada silenciosa, compreendi:

O mundo está cheio de pessoas que querem cuspir mágoas demais ao nosso redor.

Mas nós podemos escolher:

Não carregar.

Não repetir.

Não morder a isca do ódio.



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Para quem me lê:


Se você está cheia de dor, de memórias duras, de frases que não consegue esquecer...

Se você sente que o mundo está cuspindo mágoas demais ao seu redor...

Se você está tentando entender por que sonha com sangue, tragédia, violência...


Respire.

Você não está ficando louca.

Você está ficando mais consciente.

E consciência, mesmo que doa, cura.



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🌹 Finalizo assim:


> “O ódio pode parecer força, mas é a dor que perdeu o caminho da palavra.”


Que a gente aprenda a falar, antes de explodir.

Que a gente saiba chorar, antes de ferir.

Que a gente escolha amar, mesmo quando o mundo nos convida ao contrário.


Vamos Refletir🧠

"Tudo aquilo que o outro despeja com ódio, só gruda na gente se houver uma ferida aberta onde aquilo pode entrar.”


Com carinho,

Marli Miranda

Blog Cicatrizes que Falam


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