Quando o vendaval passa

 🌬️ Quando o vendaval passa: o que a dor nos mostra sobre nós mesmos



(para o blog Cicatrizes)


Às vezes, o que mais nos assusta não é a dor em si —

mas o que fazemos enquanto estamos com dor.

As palavras que disparamos sem pensar,

os silêncios que viram muros,

os gestos duros, os rostos fechados, os pensamentos feios.


E depois…

depois vem o espelho.


Vem a consciência.

Vem o momento em que o vendaval já passou,

as coisas voltam lentamente ao lugar,

e ficamos olhando o rastro deixado pelas nossas reações.


> “Como eu pude ter feito aquilo?”

“Que pessoa eu me tornei naquele momento?”

“Será que sou assim… ou só estava doendo demais?”




E é aí que começa a cura.

Não quando deixamos de sentir dor.

Mas quando passamos a olhar para ela com verdade.



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Porque o caos tem um tempo. Mas o que aprendemos com ele… fica.


No meio do vendaval, a gente só quer sobreviver.

Fala o que não queria. Reage como nunca imaginou.

E às vezes, coloca para fora o pior que havia guardado.



Mas não é porque somos más pessoas.

É porque somos seres humanos em estado de desespero.


Ninguém nos ensinou a sofrer com ternura.

Ninguém nos ensinou a sangrar sem gritar.



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A dor desorganiza, sim.


Mas ela também revela.


Ela mostra onde estão nossas brechas,

onde moram nossas feridas antigas,

e o quanto ainda ansiamos por ser vistas, ouvidas, abraçadas — na hora em que mais estamos desmoronando.



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Quando a dor é compreendida, algo muda.


Ela não desaparece, mas fica mais leve.

Não porque sumiu, mas porque passou a fazer sentido.

Porque paramos de nos julgar e começamos a nos perguntar:


> “O que em mim estava gritando por socorro naquele dia?”

“De onde veio aquela reação tão intensa?”

“O que eu não consegui dizer com palavras, e disse com dor?”




E é nesse ponto, exatamente aí,

que as cicatrizes começam a se formar.






Cicatrizes não são marcas de vergonha.


São memórias do que a gente enfrentou e sobreviveu.

São lembranças de quem fomos,

e sinais de que escolhemos continuar, mesmo feridos.



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Talvez o mais bonito da vida seja isso:


Ver que até nos nossos piores momentos,

existia um coração pedindo para ser visto.


E que agora, com o vendaval passado,

podemos olhar para tudo isso com mais amor, mais leveza, mais perdão.


Não para justificar o que fizemos,

mas para acolher quem éramos — e crescer com isso.



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✍️ Por hoje, escrevo isso:


Nem sempre sou feita de luz.

Às vezes, também sou sombra.

Mas agora, sei que toda sombra tem algo a ensinar.

E que, depois da dor…

vem a chance de renascer.



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Blog: Cicatrizes

Texto de Marli Miranda


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