Quando a paz pede guerra

 🌬️ Quando a paz pede guerra



Hoje eu acordei com o coração em paz.

Mas é estranho — porque, quando a paz chega, o meu coração logo pede guerra.

Penso: “Estou bem.”

E imediatamente a mente rebate:

“Você tem certeza? Está mesmo?”


Ela começa a vasculhar os medos guardados,

a lembrar das feridas, das incertezas, dos fantasmas.

Coisas sem provas, apenas suposições.

Coisas com provas… mas que, infelizmente, não posso mudar.

E aí o que resta?

Compreender o que é possível agora

e o que não for, entregar ao tempo.


Ando desviando dos buracos da vida,

olhando ao redor com mais atenção,

mas sem permitir que a estrada me sugue.

Aprendendo a agradecer os dias bons.

E confesso:

Já estive em tantas batalhas, que às vezes me pergunto

se aprendi a sobreviver apenas no meio da luta.

Será que desaprendi a viver em paz?


Às vezes, acho que gosto de parecer frágil.

Talvez por querer que alguém veja:

“Olha o que ela está passando…”

Outras vezes, tudo o que desejo é que reconheçam:

Não tem sido fácil.

Estou tentando.

Estou sendo forte.

Estou sendo corajosa.

Nos dois cenários, o que eu quero, no fundo,

é atenção.

É errado isso?


No fundo…

o que eu quero mesmo é ser feliz.

Olhar para dentro com tanta profundidade

que eu aprenda a conviver,

a gostar,

a admirar a verdadeira Marli.


Hoje, cortei o cabelo ainda mais curto.

Mega curto.

Quase careca.

E me senti linda. Sexy.

Pensei na Mônica.

Quando o cabelo dela começou a crescer daquele jeitinho.

Sempre desejei esse tipo de corte, desde muito antes.

E, por um instante, me perguntei:

Será que ficou igual ao dela por coincidência?

Será que foi intuição?

Foi influência ou destino?

Eu sei: a intenção foi ser eu mesma,

mas há coincidências que parecem mensagens do invisível.


Infelizmente, ela teve um câncer,

e dele veio a ausência dos fios…

e depois o nascimento daquele novo cabelo,

daquela nova força.


Lembrei do Miro, quando ele tinha uns dois anos.

O cabelinho espetado, tão dele, tão único.

Olhei no espelho…

e vi o reflexo de uma saudade.

Vi ele pequeno.

Vi um pedaço de mim com ele.

Me emocionei.


Hoje está frio.

Vesti minha calça pantalona preta,

blusa preta por baixo,

casaco rosa e botas pretas.

E como a vida é movimento,

fiz minha maquiagem no ônibus.

Pintei meu rosto de coragem.

De presença.

De mim.

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Por:Marli Miranda 


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