Quando te perdi

 "A travessia"



Quando eu te perdi, o mundo ficou escuro.

Era como se o chão tivesse desaparecido e tudo ao redor se transformado em silêncio e vazio.

Não havia direção, não havia cor, não havia som — só a ausência, e ela doía como nada mais.


No fundo, bem no fundo, eu imaginava que você também estivesse perdido, como eu.

Talvez sem saber que, mesmo distante, a sua família ainda te cercava de amor.

Talvez sem perceber que tudo o que você buscava sempre esteve dentro de você — e dentro da gente.


Ficaram perguntas soltas no ar…

Por quês que ninguém soube responder.

Mas aos poucos, como quem acende uma vela num quarto escuro, eu comecei a ver… uma luz.


Primeiro, bem fraca.

Depois, mais firme.

E no reflexo dessa luz, comecei a sentir você.


Você não está mais no vazio.

Você está na luz.

E é como se, devagarinho, você estivesse me chamando para sair da escuridão também.


É aí que eu vejo… uma ponte.

Bonita. Simples. Mas envolta pela sombra da noite.

E sou eu — sou eu ali, atravessando.

Cada passo é uma lembrança.

Cada passo é uma dor que se transforma.


No meio da ponte, tudo começa a mudar.

A escuridão vira névoa suave.

A dor se torna aceitação.

A saudade ainda está aqui, mas agora ela dança com a esperança.


E quando meus pés tocam o outro lado…

Lá está você.

Na luz.

Na clareza.

No amor.


Eu sei que você está bem.

E finalmente, depois de tanto tempo…

A felicidade começa a me visitar de novo.



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