Tu me deixaste em pedaços
Por Marli Miranda
Tu me deixaste em pedaços — assim me sinto, fragmentada em mil pedaços que ninguém vê, além daquele sorriso que insisto em mostrar ao mundo. Sou aquela mulher que às vezes se cala, que parece ausente, mas por dentro carrego as emendas invisíveis da alma, costuradas com a dor e o amor que não se foram. Cada linha no meu rosto, cada marca no meu corpo, parece um mosaico de histórias — pedaços colados, remendos de um coração que insiste em pulsar, mesmo ferido.
A perda me vestiu uma nova pele, áspera e delicada ao mesmo tempo. Perdi não só um irmão, mas três pessoas queridas em pouco tempo, e com elas, um pedaço do meu mundo se desfez. O luto chegou como uma tempestade silenciosa, invadindo cada canto do meu ser, deixando o vazio e o silêncio como companhia constante. É uma dor que rasga, que queima, que faz o tempo parar e o coração chorar.
Mas, mesmo na sombra dessa tristeza profunda, me agarro à luz que insiste em brilhar no horizonte da alma. Sei que as cicatrizes que carrego são provas vivas da minha resistência — elas falam de um amor que permanece, mesmo que ausente, e de uma coragem que não se deixa apagar. A dor ainda é presente, é verdade, mas permito-me acolhê-la, como parte do meu ser, sabendo que aos poucos as feridas vão encontrar seu caminho para a cura.
Hoje, sou essa mulher em pé, feita de pedaços, mas inteira em sua essência. Uma mulher que carrega na alma as marcas do que viveu, mas que ainda acredita na delicadeza do recomeço, na força do abraço, na poesia que nasce das cicatrizes.

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